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sábado, 30 de março de 2013

Senhoras e Senhores: Albino Papa!



Albino Papa tem 33 anos e é natural de Belo Horizonte, onde se formou em design gráfico na Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais. Vamos conferir uns trechos da entrevista que o phino artista deu à FFW News.
 “Venho de uma formação ‘clássica’ de design gráfico, de uma escola onde pouca ou nenhuma importância era dada à moda. Lentamente, e de uma forma orgânica, Albino foi traçando o seu caminho na moda, tentando sempre conectar os seus trabalhos de design com algo que achava mais prazeroso. Hoje, entre outros trabalhos, Papa desenha belas estampas para o estilista Alexandre Herchcovitch desde a temporada de Inverno 2012. “O briefing era relativamente simples, mas de execução extremamente complexa: desenhar uma estampa corrida, que pareça um tapete Persa, só que todo feito com ossos ou pedaços de ossos”, explica.
Albino também tem em seu portfólio a cenografia do SPFW Verão 2010, com o tema Passion, e do SPFW Inverno 2010, com o tema Linguagem; e o decór da loja da Valisere na rua Oscar Freire. PHINOOOO!
A ilustração desenvolvida por Albino Papa e a aplicação em uma das peças de Alexandre Herchcovitch -Divulgação
A estampa camuflada criada por Albino e a aplicação em uma calça do desfile masculino de Alexandre Herchcovitch Verão 2013 - Divulgação

Ilustração “Bombardeio Aéreo” que estampou algumas peças da coleção Verão 2013 de Alexandre Herchcovitch Divulgação

Confira abaixo a entrevista completa e saiba mais sobre o trabalho de um dos ilustradores aposta certa para 2013:

Como começou a trabalhar com moda?
Ainda durante a faculdade, tive a sorte de trabalhar na VOLTZ DESIGN, um dos escritórios mais importantes de Belo Horizonte. Foi lá que aprendi tudo o que eu realmente sei sobre design. Nesse período, eles tinham na carteira de clientes Ronaldo Fraga, Lei Básica e a Tecelagem São José. A Voltz foi responsável pela minha formação técnica e ética. Foi uma escola. E ali, direta e indiretamente, tive contato pela primeira vez com o imaginário gráfico de um grande estilista.
Foi difícil?
Depois de formado, comecei a trabalhar como diretor de arte freelancer, fazendo absolutamente tudo dentro do universo do design gráfico: do desenvolvimento de logomarcas a websites, passando por estamparia, campanhas, cenografia, etc. Em Belo Horizonte, tive a oportunidade de fazer a campanha de várias marcas de diversos segmentos e, assim, segui avançando pouco a pouco em um mercado com características super específicas.
Quando aconteceu o que você considera sua grande oportunidade?


A minha grande oportunidade veio com o convite de uma amiga, a Camila Schmidt, que trabalha com a Daniela Thomas e o Felipe Tassara. Eles estavam desenhando a cenografia de uma edição do São Paulo Fashion Week em que o tema era o Brasil. Em seguida vieram as edições Passion e Linguagem. Assim, passava mais tempo em São Paulo do que em Belo Horizonte e acabei me mudando. Depois disso fiz outros grandes trabalhos com a Daniela, como a loja da Valisere nos Jardins e algumas exposições.
Como começou o seu trabalho com Alexandre Herchcovitch?
O trabalho com o Alexandre aconteceu a conta gotas. Sempre fui consumidor da marca. Desde quando comecei a ganhar meu próprio dinheiro me interessava muito pelo produto dele. Quando mudei para São Paulo, o Antônio Gomes (da equipe do Alexandre) começou a me passar trabalhos pequeninos, como reaplicação do logo em botões, assinaturas, algum desenho de metal que se transformaria num acessório, depois um bordado para camiseta ou uma estampa localizada para a parceria que ele tem com a Chilli Beans.
A estampa de pássaros aplicada em um casaco - Divulgação

Ilustrações de Albino Papa para o desfile de Verão 2013 de Alexandre Herchcovitch - Reprodução

Ilustração de Albino Papa para o Inverno 2013 de Alexandre Herchcovitch - Divulgação
E então começou a fazer as estampas dos desfiles…

Então, surgiu o grande desafio: o Tapete Persa de ossos, que apareceu no desfile de Inverno 2012. O briefing era relativamente simples, mas de execução extremamente complexa: desenhar uma estampa corrida, que pareça um tapete Persa só que todo feito com ossos ou pedaços de ossos. Antes de colocar a mão na massa, fiquei obcecado para entender as diversas e infinitas formas de se tecer um tapete Persa. Deu certo e acho que foi aí que eu conquistei a confiança do Alê e da equipe. Após esse job, o nível de exigência e de dificuldade só aumentou. O segundo grande trabalho foi a coleção de Verão 2013 Pearl Harbour, em que precisava desenhar cinco estampas masculinas. O briefing era uma loucura. O Alê tem essa coisa muito legal de que nada é o que realmente aparenta ser. Você precisa olhar de novo, olhar de novo e olhar mais uma vez para realmente começar a entender do que se trata, e essas estampas têm essa característica. Tem a estampa do Bombardeio Aéreo, por exemplo, que entre fumaça, mísseis e aviões, tem uns peixes voadores. A estampa de Pássaros é super bonita, mas quando você olha bem de perto vê que os pássaros estão todos mortos.
O trabalho de ilustração tem muita pesquisa por trás?
Esse trabalho foi muito desafiador para mim. Antes de começá-lo, pesquisei exaustivamente várias estampas de camisas havaianas. Estudei muito para entender a estrutura, como acontece a repetição, quais os elementos de fundo, quais os de primeiro plano, como simulam a perspectiva… Ao contrário do que muita gente pensa, o desenvolvimento de estamparia não é e não pode ser estático. Não é simplesmente sentar e desenhar qualquer coisa, é minha responsabilidade fazer o melhor trabalho para um dos melhores designers do país.
Ilustração de Albino Papa para o Inverno 2013 de Alexandre Herchcovitch - Divulgação
E como é trabalhar com Herchcovitch em um processo tão específico?

Depois da edição de Verão 2013 do SPFW, o Alê me passou outro job mais complexo ainda: a estamparia do prêt-à-porter feminino do Inverno 2013. Ele chegou em casa com uns livros da artista Margaret Mee e uns outros de fotografia de flores exóticas e disse: “Eu quero flores lindas, mas com uma cara meio sombria, uma coisa Margaret Mee from Hell”. Daí pensei: como fazer aquarelas digitais se eu nem aprendi a manipular com precisão aquarelas de verdade? Aquarela é uma das técnicas mais difíceis de pintura. Então fui novamente pesquisar para aprender quais os fundamentos da aquarela artística e aplicá-los na aquarela digital. Esse trabalho demorou muito tempo. O desenho em si começou com uma flor isolada, que se transformava em cachos, que formavam agrupamentos de cachos e, por último, a montagem no quadro de cada estampa. Era orgânico e a repetição deveria também ser orgânica e imperceptível. Nesse trabalho aprendi uma característica do Alê: quando ele gosta muito, ele retorna de cara falando que tá lindo. Se passou um dia e ele não respondeu, pode sentar e recomeçar o trabalho, pois não está bom. O Alexandre é extremamente objetivo, prático e sabe muito bem o que quer.
Ilustração de Albino Papa para o Inverno 2013 de Alexandre Herchcovitch - Divulgação
Em que você pensa quando desenha?
Uma vez ouvi por aí um provérbio oriental que dizia, “se você quer pintar o bambu, que você seja o bambu”. Antes de realizar qualquer empreitada, eu preciso realmente entender a dimensão daquilo a ser desenvolvido. Não é mecânico. Tenho que aprender com o trabalho, caso contrário, não vejo sentido. Desenvolvo sempre com a responsabilidade e o objetivo de que tudo o que desenho não tenha sido visto antes em lugar nenhum. Nesse sentido, é sempre um desafio e um prazer fazer o que faço.
Em que está trabalhando atualmente?
Estou desenvolvendo estamparia localizada pras outras linhas do Alexandre, além de criar também para MCD. Recentemente fiz uma parceria com o Marcelo Rosenbaum que vai chegar aos supermercados em breve. Agora no final do ano volto para Belo Horizonte para dirigir as campanhas dos meus clientes locais.
Por Andreia Tavares este luxo de entrevista.
Bravo, Albino Papa! Orgulho! Luxo! Verdade! Arte!



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Alexandre Herchcovitch - SPFW Verão 2013

Que dia dos namorados que naada, genttee!
Começou a badaladíssima SPFW Verão 2013 e de cara eu vou postar aqui os melhores looks, em minha humilde opinião daquele que é o estilista dos meus sonhos - Alê Herchcovitch.


O  verão 2013 de Alexandre Herchcovitch é inspirado nos anos 80, cheio de cor, alegria e liberdade. Embalado pelas músicas do Culture Club - comandado pelo exuberante do ícone Boy George -, ele coloca musas/modelos de cabelos encaracolados para dançar sobre saltos altíssimos em scapins em cores de chiclete.

Nas roupas, muitos macacões, vestidos, tailleurzinhos, camisas e bermudas em tecidos nobres como seda, tafetá e shantung. As formas não são muito próximas do corpo, arrendondadas e com mangas amplas, numa alfaiataria de pegada esportiva.

Muito interessante a proposta de estampa do designer desenvolvida a partir combinação de maxi ou micro xadrezes coloridos, quadriculados multicores, corações estampados sobre peças monocromáticas e jogos de sobreposições que criam um efeito caleidoscópico na passarela proposta por Herchcovitch.

Arrasooou, Alê! Te acho o máximo - sensacional!


















sábado, 19 de maio de 2012

Alexandre Herchcovitch - Inverno 2012 - Luminosidade

O maravilhoso Alexandre Herchcovitch apresentou, em janeiro de 2012 - Nova York - o mesmo inverno que no SPFW - como já sabemos, a diferença apareceu somente no styling, sem os óculos de armação redonda e na beleza, que trocou os cabelos frisados por coques com topetes levemente bagunçados. Assim como no desfile que ocorreu no SPFW, os destaques foram os belos vestidos metálicos, tanto em couro como em renda. As roupas em camurça combinaram perfeitamente com os tons terrosos usados, podendo entrar para a lista de desejo das fashionistas nova-iorquinas. Não me canso de ver e rever as criações mega usáveis de Alê. Sonho meu.






Fotos: reprodução

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Alexandre Herchcovitch e Reinaldo Lourenço x Via Uno e Shoes4You

O queridísismo Alexandre Herchcovitch criou uma coleção especial para a Via Uno e Reinaldo Lourenço assimou uma linha para a Shoes4You. A colaboração entre Reinaldo Lourenço e a loja online começou com os sapatos desfilados no SPFW, mas a coleção que chega ao e-commerce conta com designs mais discretos em relação aos desfilados na passarela. Ô coisa fina, gente. Salve salve estas parcerias! Vale lembrar, as compras só podem ser feitas pelo site, ok?

São cinco modelos: duas sandálias lindas de trecê e três sapatilhas fofaas.

A linha começou a ser vendida nessa quarta-feira (01.02) no site da loja e estará disponível somente durante fevereiro. Cada par custa R$ 99 e a marca promete trazer todo mês uma nova parceria com estilistas.
A linha de Alexandre Herchcovitch marca a primeira de cinco coleções para a Via Uno, que deverão ser lançadas ao longo do ano. Na estreia, 20 modelos entre sapatilhas, peep toes e abotinados de couro e plástico, alguns com efeito metalizado como vimos nas passarelas do desfile inverno 2012. Os sapatos criados pelo estilista poderão ser encontrados em  todas as lojas da Via Uno (inclusive as do exterior) a partir de abril. Os preços começam em R$ 229, dá uma conferida em alguns modelos.   Alê, como eu te amo! <3

Fotos: reprodução



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Feliz Aniversário Alexandre Herchcovitch!

Foto: Fotosite.

Um dos mais importantes estilistas brasileiros acaba de completar 40 anos! Muitos confettis, balões coloridos e campagne para celebrar a vida deste querido e talentoso ser humano!

Viva Alexandre Herchcovitch!

“Não penso no futuro. Senão ou sofro por antecipação, ou acabo me decepcionando. Gosto de viver as situações conforme elas surgem.” Com essa serenidade, às vezes transformada em impulsividade, Alexandre Herchcovitch forjou seu nome na história da moda. A trajetória é quase épica. Ele saiu do underground paulistano, em que costurava roupas para drag queens e prostitutas, para o sacrossanto altar fashion, com direito a desfiles em Nova York e produtos licenciados. Como diz a editora de moda Érika Palomino, ele deixou de ser “estilista estranho para gente esquisita” para se transformar no maior nome de sua geração. O menino rebelde, que afirma ter sofrido bullying no tradicional colégio judeu em que estudou na infância, fez de seu talento e de sua contestação um business poderoso. Deu a volta por cima. E não foi apenas uma vez.

Trajetória

Em 2007, Herchcovitch vendeu sua marca para a holding Identidade Moda e viu quase tudo virar pó. “Foi um dos únicos deslizes na minha carreira. Era uma situação sinistra desde o começo e me deixei envolver. Até que chegou um ponto em que o Paulo Borges e a Tânia Otranto me disseram: ‘Acorda, Alê’. Era um domingo. Nunca vou esquecer.”
Paulo Borges, o todo-poderoso da moda brasileira, acompanha a trajetória de Alê, como o estilista é chamado pelos mais íntimos, desde o começo. Tânia, fiel escudeira, trabalha com ele há 14 anos. Uma das principais características do estilista, aliás, é estar sempre cercado de amigos. Geanine Marques, Maurício Ianês e Celso Kamura. Todos parceiros de longa data. “O Alê é muito tímido. Trabalha para superar isso há bastante tempo. Por isso, gosta de ficar próximo de pessoas queridas, se sente mais seguro assim”, diz Tânia, que como assessora de imprensa tem que cortar um dobrado para desfazer a impressão que a timidez provoca: a de certa indiferença.
Aos 40 anos, completos nesta quinta, 21 de julho, a imagem de enfant terrible está ficando para trás. Cada vez mais focado nos negócios – ele inaugurou há pouco uma nova loja na rua Melo Alves, em São Paulo, onde reuniu as linhas de prêt-à-porter, jeans, acessórios e casa e, desde 2008, faz parte do grupo Inbrands –, Alê está aparentemente mais tranquilo. E a boa fase profissional anda de mãos dadas com a pessoal. No ano passado, oficializou sua união com o empresário Fábio Souza, com quem convive há quatro anos. “O Alexandre profissional é controlador, dedicado, fala o que quer, é exigente, odeia atrasos. Já o pessoal é carinhoso, preocupado com quem gosta”, conta Fábio, que divide um apartamento em Higienópolis com o estilista e seus três cachorros, Berenice, Pascal e Chanel. Filhos não estão descartados. Mas Alê não gosta de fazer planos, lembra? “Acho que serei um ótimo pai. Mas preciso amadurecer mais”, analisa. “Ele é maduro em alguns aspectos e imaturo em outros”, diz Fábio. “Como todo mundo.”

Mãe-musa

As alterações de humor, típicas de um canceriano, são notórias. “Ele muda muitas vezes no mesmo dia!”, entrega Regina Herchcovitch, mãe de Alexandre e sua musa desde a infância. “Na minha primeira lembrança de moda, estou sentando no chão do closet da minha mãe vendo ela se arrumar. Devia ter 9 anos e sofria muito quando meus pais saíam. Então, ficava lá, vendo ela se maquiar, escolher a roupa. Era um ritual”, relembra Herchcovitch.
A mãe-musa não demorou para enxergar a aptidão do filho. Costurou sua primeira “criação”, duas fantasias de Carnaval, uma para ele e outra para o irmão Artur. Logo depois, ela e o marido, Benjamin, resolveram dar uma máquina de costura a ele. “As ‘encomendas’ do Alê começaram a me tomar muito tempo. Resolvi ensiná-lo a costurar e modelar porque as ideias ele já tinha”, conta Regina. O resto da história quase todo mundo sabe. Alexandre fez a faculdade de moda Santa Marcelina (depois de cursar um ano de artes plásticas) e já no desfile de formatura causou, como se diz por aí. Érika Palomino, na época editora de moda do jornal Folha de S.Paulo, e o estilista Reinaldo Lourenço eram alguns dos bambambãs que estavam na plateia, conferindo as roupas chocantes, distantes do que vemos hoje em sua passarela. “Não me arrependo de nada”, diz Alê, como canta Edith Piaf. “Na verdade, sinto até falta daquela época de experimentação.”
Mas, se olharmos bem de perto, ainda é possível enxergar traços do começo underground. Alexandre é mestre em mesclar referências e criar roupas chics, com detalhes pouco convencionais – um forro aparente aqui, uma estampa de gilete acolá, uma caveira adiante. É nesse mix dos dois mundos que reside a sua maior força – como é possível conferir na retrospectiva a seguir.
Celso Kamura e Alê. LUXO.

Reportagem: Renata Piza