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sexta-feira, 8 de março de 2013

Um gole com Xico Sá - Como inventar um amor de segunda


É preciso ter um motivo para tocar o dedão do pé no taco frio da segunda-feira, bradar um “Levante-te Lázaro” e não dar cabimento à  ressaca.

Só conheço um motivo capaz de tal milagre: a inadiável loucura carnal por uma mulher. Isso no meu caso. Você dirá, jovem gazela, lânguidos lábios de crepúsculo, “por um homem”.

É preciso ter um motivo, um ensaio de amor, uma mentira amorosa, no mínimo, para pular da cama. O trabalho, a rotina, essa indesejada média com pão na chapa, são apenas desculpas.

Para que cerimônias se todo amor é, a princípio, uma invenção, uma ficção barata de Cassandra Rios ou J.M. Simmel?
Mesmo que você já sofra, amigo, de um certo donjuanismo diagnosticado, é preciso saber que a cura está no seu próprio veneno, ou seja, na arte de inventar mais uma presa.

À guisa da autoajuda mais ordinária, vos digo: inventai um alvo para o desejo, uma ficçãozinha para cada dia da semana, aquela gostosa do telemarketing, o subeditor das notícias do estrangeiro, a moça de vestido verde que passei antes da chuva nos arredores da Paulista, a dama tatuada do cachorrinho da Augusta, o bofe do almoxarifado…

Isso, claro, se você, Lola, não estiver completamente caída por aquele chefe canalha casado. Como é lindo o amor de foca, o amor das estagiárias, o lindo e inocente amor, como deve ser o amor em qualquer etapa da carreira.

Ah, vou quebrar a cara, diria você ai, sonsa e cética. Ora, quebra-se em quaisquer circunstância. Não há outra possibilidade na existência. Viver é Sísifo, sifu etc, me sopra aqui o velho Albert.
Agora uma palhinha tipo Leminski para amaciar, pero no mucho, a segunda: não há saídas, só ruas e avenidas.

Um motivo, baby, vai construindo uma historinha logo no ônibus, no metrô, sabe aquela cara que olha com feições de tarado no elevador? Sabe o moço tímido que ainda mora com a mãe? Sabe o que sempre almoça contigo, é bom amigo e enxerga lágrimas escondidas atrás do teu ray-ban?
Só não vale o chato que fala como se a firma fosse de todos: “Porque nosso lucro líquido este mês…” Que mané nosso, meu rapaz, se oriente.

Só sei que é preciso ter um motivo amoroso ou sexual para acordar para a vida. Só Eros salva.
Quem tem um(a) amante no trabalho sabe do que estou falando: ama a segunda-feira e, muitas vezes, roga pragas, maldiz um feriado qual um taxista, “coisa para folgazão e vagabundo”, esculhamba.

É preciso criar uma ilusão amorosa como um deus diário, nem que seja apenas para tirar o enjôo do mal-estar no mundo.

Uma ilusãozinha que seja. Mesmo por aquela cachorra bêbada e chapada, como na música do mundo livre s/a. Mesmo por aquele conquistador barato que diz isso para todas.
Nada como uma ilusãozinha de segunda. Nem precisa obrigatoriamente voltar com ela hoje à noite para casa.

Fonte: Folha de São Paulo 04/03/2013



sábado, 29 de setembro de 2012

Livro "50 Tons de Cinza" - Só se fala nele!


Foto de Instagram da top Carol Trentini lendo “Cinquenta Tons de Cinza” ©Reprodução
Só se fala dele: “Cinquenta Tons de Cinza”, fenômeno da literatura que, juntamente com suas sequências “Cinquenta Tons Mais Escuros” e “Cinquenta Tons de Liberdade”, vendeu mais de 40 milhões de cópias no mundo todo e cujo alcance ainda vai se expandir ao cinema — os direitos das obras foram comprados por 5 milhões de dólares pela Universal Pictures e Focus Features, e um “Cinquenta Tons de Cinza – O Filme” já está em fase de pré-produção sob os cuidados de Michael de Luca e Dana Brunetti, que trabalharam no premiado “A Rede Social”. Mas afinal, qual é a desse livro?
Resumindo muito resumidamente, “Cinquenta Tons” é o “Crepúsculo”, só que com sexo no lugar dos vampiros. Parece simplista demais? Até que não, já que as obras apresentam uma longa lista de semelhanças; seguem apenas algumas, também para não estragar a surpresa de quem quiser ler a trilogia:
- uma heroína jovem, bonita e inteligente, mas insegura, filha única de pais separados, madura, porém inexperiente em relacionamentos, inacreditavelmente desengonçada e com um dom para atrair confusão. E, segundo seus respectivos pares românticos, muito cheirosa:
“Crepúsculo” ☑     “Cinquenta Tons” ☑
- um herói mais velho (guardadas as devidas proporções, já que Edward Cullen, de “Crepúsculo”, nasceu em 1901), impossivelmente belo, dono de um temperamento volátil e de segredos sombrios – mas, no fundo, com um bom coração –, de gosto musical eclético e uma queda por veículos velozes:
“Crepúsculo” ☑    ”Cinquenta Tons” ☑
- uma narrativa centrada no relacionamento entre a heroína e o herói, recheada de referências sexuais, mais especificamente sadomasoquistas, com descrições detalhadas de o-que-é-usado-onde-e-como:
“Crepúsculo” ☐    ”Cinquenta Tons” ☑
Brincadeiras à parte, as semelhanças citadas acima não são mera coincidência. A britânica Erika Leonard James, mais conhecida pelo seu pseudônimo literário E L James, não faz questão nenhuma de esconder o fato de que seus “Cinquenta Tons” nasceram da história de “Crepúsculo”. Infeliz com seu emprego, a ex-gerente de produção de TV se apaixonou pela saga adolescente (ela afirmou em entrevista à “Veja” que leu os quatro livros em cinco dias) e imediatamente teve a inspiração de começar a escrever. Depois de descobrir o fan fiction – estilo em que fãs imaginam histórias paralelas derivadas de determinadas obras –, ela achou que apimentar a relação entre Edward e Bella “poderia ser um exercício divertido”, e foi daí que surgiu a sua trilogia. Suas primeiras edições foram publicadas em 2011 por uma pequena editora australiana em forma de e-book. Meses depois, já na Vintage Books, as vendas dos três livros a deixavam aproximadamente um milhão de dólares mais rica por semana. Em abril de 2012, ela foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista “Time”.
As capas da trilogia “Cinquenta Tons” ©Reprodução
Um artigo do “The New York Times” publicado também em abril tenta explicar o sucesso de “Cinquenta Tons”, afirmando que seu apelo está no fato de que ele não é uma novidade, e sim um “produto antiquado re-imaginado como inovação”. Com a disposição de todo tipo de material erótico e pornográfico a qualquer hora e em qualquer lugar, o melhor jeito de apresentar algo novo seria dar um passo para trás, com uma “reminiscência atualizada de novelas escandalosas do passado, incluindo “Jane Eyre” e (…) “The Sheik”, dos anos 1920. A principal diferença é a de que [a trilogia “Cinquenta Tons”] se passa na Seattle moderna e mistura mensagens de texto sexuais com palmadas”. Outra teoria do jornal é a de que, atualmente, todos os personagens fictícios femininos são fortes, trabalhadores e independentes, e “elas não se entregam a fantasias regressivas sobre milionários ricos e arrojados que anseiam em tornar a vida da heroína mais fácil”. A autora do artigo pondera: “Particularmente agora, quando ter tudo significa fazer tudo sozinha, há um fascínio especial sobre o devaneio de permitir que outra pessoa tome o controle”.
Outra teoria (dessa vez pessoal) é mais simples (e romântica?): se ignorarmos os elementos de fantasia (no sentido sobrenatural, em um caso, e sexual, em outro), fica muito claro que o que rege tanto “Crepúsculo” quanto “Cinquenta Tons” é a história de um amor incondicional. Em tempos de “a fila anda”, em que iniciar um relacionamento requer um enorme esforço, mas terminá-lo precisa de muito, muito pouco, quer abstração mais apelativa do que o romance devotado de Edward/Bella e Christian/Anastasia? Em entrevista publicada à “Veja”, a própria E L James afirmou que o que a seduziu em “Crepúsculo” foi “o fato de ser um romance tão assumido e tão desavergonhado no seu romantismo – feito sem ironia, sem tentar parecer mais do que é”. Na ótima definição de uma romancista ao site eonline.com, em reportagem sobre “Cinquenta Tons”: “É a clássica história de um grande amor – o homem poderoso que descobre essa mulher aparentemente comum, e se apaixona por ela e a faz sentir especial. Isso é crack emocional para mulheres”.
Seja lá qual for a explicação, o fato é que a trilogia é sucesso absoluto, e está gerando uma rede de merchandisingque não deve se esgotar tão cedo: já foram anunciados uma linha de roupa, de lingerie e de maquiagem, além de um álbum com 15 faixas de músicas clássicas que são citadas ao longo dos três livros. Isso sem contar oboom de vendas de produtos relacionados à história de Christian e Anastasia, de brinquedinhos de sex shop (a BBC reporta que alguns itens citados em “Cinquenta Tons” tiveram um aumento de procura de 200%) até cordas de lojas de ferragem (quem leu o livro vai entender).
Além, é claro, do filme, já citado no início do texto, e cujo elenco (ainda não definido) é o principal assunto dos fóruns de discussão sobre “Cinquenta Tons”. Por enquanto, os mais cotados para os papéis de protagonistas são Ian Somerhalder (Vampire Diaries) e Emma Watson (“Harry Potter”), mas já que o espaço aqui do blog é aberto a opiniões pessoais, deixo as minhas escolhas: para viver Christian Grey, de “cabelo revolto acobreado, e olhos cinzentos vivos”, o páreo é entre Henry Cavill (o novo “Super-Homem”) ou Richard Madden (o Robb Stark de “Game of Thrones”); e para Anastasia Steele, a “garota pálida de cabelo castanho e olhos azuis grandes demais para o seu rosto”: Michelle Trachtenberg (“Eurotrip – Passaporte Para a Confusão”; Gossip Girl) ou Analeigh Tipton (“Amor à Toda Prova”).
Por Sarah Lee - CUltura POP - FFW
Henry Cavill e Richard Madden; Michelle Trachtenberg e Analeigh Tipton ©Reprodução
+ A trilogia “Cinquenta Tons” é publicada no Brasil pela editora Intrínseca


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Pra você que se livrou de um Homem-Roubada! Xico Sá



Ou de uma mulher-abismo.

Ou ainda: a dor é P&B e a liberdade é 3D.

Para você, minha pequena, que acaba de se livrar de uma dor amorosa que a acompanhava pelas ruas como um vira-lata sadomasoquista.

Para você que acabou de deixar essa dor no cemitério dos amores esquecidos ou no crematório dos encostos e homens-roubada.

Para você, neste exato momento em que se livra da praga, o cirúrgico instante em que você diz “baby você já era”, como na versão da Clarah Averbuck para “Out of Time”, dos Rolling Stones, clássico dos concertos de Wander Wildner.

Está ai um momento lindamente difícil, primeiro plano, fechado, só você e a câmera do homem que filma tudo lá de cima, agora em 3D, para que todos acreditem e não vejam como truque ou chantagem…

Está ai o justo instante em que diz, aqui, câmera 1, a grua de Deus: acabou chorare,  tá tudo lindo, chega de palhaçada!

O momento da iluminação, meu santo Jack Kereouac, o beijo no vento, o sorriso, o fim da maldição de todas as músicas tristes que pareciam sempre biográficas, como as de Leonard Cohen, do Chico ou do Waldick.

Já reparou, amigo(a) que, quando doentes de amor, toda e qualquer canção é a história cagada e cuspida das nossas vidas?!

Entramos no carro ou em um táxi de madrugada, velho e bom amigo Serginho Barbosa, e lá está a trilha sonora da existência.

Agora você simplesmente ergue as mãos para os céus e diz: estou livre, carajo!
Penei, sofri, vivi o luto amoroso, mas essa(e) peste não me merece. Você ergue as mãos para os céus e agradece.

Você foi grande, não esnobou com o(a) primeiro(a) que apareceu pela frente, respeitou o luto sob trilha de Morrissey, viveu noites de insônia e solenes estiagens no reino da Carençolândia.
Você quase toma barbitúricos, você quase toma racumin como os suicidas antigos, mas você foi forte, enfim, você foi intenso(a) e segurou a onda em todas as medidas e trenas do possível.
Óbvio que às vezes você se enganou, achava que estava livre e teve ruidosas recaídas, todos nós dançamos esse tango sem manteiga, achamos que estamos libertos e lambemos, de novo, os pés de novo da mulher-abismo ou do homem-roubada,  afinal de contas o amor é mesmo uma pedra de crack da existência.

Agora não, você se sente livre mesmo, até recita um verso de  Walt Whitman: “De hoje em diante não digo mais boa sorte, boa sorte sou eu!” E segue. Lindeza.

Pronto. Você se sente livre mesmo(a), se arruma bem linda, bota flor no cabelo, você, homem velho, luta boxe sozinho no banheiro, você pede um uísque duplo, bota um Rolling Stones na radiola de ficha, sai bonito da sinuca, mata a bola preta de tabela, você está preparado(a) para uma nova vida, caiu a pena como um passarinho, caiu o pelo como um(a) gato(a), mudou de sina e com todo respeito ao clichê mais vagabundo, a fila anda.

Você fez todas as rezas, orou para Jesus, foi no terreiro e no centro espírita, baixou os tarôs e tomou carma-cola, pediu para a menina anônima que viu a virgem na mata e rendeu-se ao neo-orientalismo, você fez de tudo um pouco, santa.

É, amigo(a), se o pé-na-bunda é em preto e branco como naqueles bons, mudos e tristes filmes do expressionismo alemão, a salvação é em 3D, mais que léguas submarinas, é uma montanha russa, um carrossel de parque de diversão, uma roda gigante ou uma simples caminhada pelas ruas com um sorriso enigmático e um bom ventinho na cara.

Adeus, roubada!

Xico Sá - (genial)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Felicidade Clandestina - Clarice Lispector

Uma grande amiga postou este texto ontem a tarde e ele se encontrou comigo agora.
Porque tem certas coisas que eu não sei dizer...
Lindo, Fernanda Cardoso minha tão querida.
Um gole com Clarice.


‎"Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu queria amar o que eu amaria - e não o que é. É também porque eu me ofendo a toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário (…). Eu que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu."

Clarice Lispector



quinta-feira, 17 de maio de 2012

Madura


Eu desejo os frutos das árvores,
os redondos e vermelhos.
E o que desejo, sinto.

Já tive minha árvore.
Sou a vermelhidão do fruto
e ainda tenho a pele macia.

Mas eu desejo os frutos das árvores,
os redondos e vermelhos.
E o que desejo, sou.
Cris Guerra
Aperte o play e se entregue - por um momento.



quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Mulher Real e a HIpótese da Barriguinha - Por Xico Sá

Brigitte Bardot: e Deus criou a mulher, mesmo as
beldades francesas - com dobrinhas.

Que haja uma hipótese de barriguinha.

Essa é do mais safado dos nossos mulherólogos, Vinícius de Moraes, na sua receita de beleza feminina.

Naquele mesmo poema em que ele pede desculpas às feias –devia ter bebido pouco naquele dia.

Que haja uma hipótese de barriguinha. Nesse verso acertou em cheio. Depois de nove casamentos, o cara era um safo.

É preciso que haja, pelo menos, uma hipótese de barriguinha. Palmas, poeta.

Aquela secura de tudo, além de fora da realidade anatômica, não é apreciável.

Chega de tábua. Isso é coisa boa apenas na passarela, como mulher-cabide para os estilistas.

Que haja aquela dobrinha quando a mulher se senta. A realíssima dobrinha da fêmea. Espetáculo.

E que não fique apenas na hipótese. Que haja uma barriguinha mesmo.

Pelas mulheres reais. Sem lipo, mas com muito desejo e outras aspirações.

Todo o segredo está na capacidade de safadezas. Nunca no tamanho ou no peso.

Sem imperfeição não há tesão, que me perdoem as certinhas da praça.

E fica o mantra, pela milésima vez, à guisa de educação sentimental aos moços, pobres moços: homem que é homem não sabe, nem procura saber, a diferença entre estria e celulite.


Foto: reprodução

segunda-feira, 7 de maio de 2012

É possível obrigar um pai a ser pai? Por Eliane Brum


Um texto longo e altamente reflexivo, vale à pena ler até o final.

Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça tomou uma decisão inédita no Brasil: determinou a um pai o pagamento de R$ 200 mil por “abandono afetivo”. Antonio Carlos Jamas dos Santos, empresário do ramo de combustíveis de Sorocaba, no interior de São Paulo, terá de pagar à sua filha, Luciane Nunes de Oliveira Souza, professora da rede municipal da mesma cidade, por sua ausência como pai. Na sentença, manchete da maioria dos jornais brasileiros de quinta-feira (3/5), a frase lapidar da ministra-relatora do caso, Nancy Andrigui: “Amar é faculdade, cuidar é dever”. Nos dias posteriores, Luciane deu entrevistas, em que chorou muito pelo abandono, assim como comemorou a vitória dos filhos abandonados do Brasil, representada pelo seu triunfo no tribunal. Minha pergunta: é possível – e desejável – que um pai seja condenado por falta de afeto? 
Apesar da frase de efeito da ministra, é disso que se trata. Este pai, agora condenado, pagou uma pensão para a filha até os 18 anos. Portanto, deu as condições materiais para o seu sustento, o que é garantido pela legislação brasileira há muito e não está em discussão. Se o valor era abaixo das necessidades concretas da filha e abaixo das possibilidades concretas do pai, esta é uma falha de quem arbitrou a pensão – uma falha da Justiça, portanto.  
Estou rodeada de pessoas que acreditam que seus pais não lhes deram o afeto que mereciam. Acho mesmo que boa parte das pessoas acha que seus pais são deficitários no quesito afeto e no quesito presença. Da mesma maneira que, se fôssemos perguntar aos pais – e também às mães –, boa parte deles compartilha da convicção de que são abandonados pelos filhos. Mas esta, decididamente, não é a hora dos pais. Os filhos reinam absolutos nesse momento histórico, com o apoio irrestrito do Estado. 
Se os pais derem uma palmada em uma criança, logo estarão cometendo uma infração. O Congresso prepara-se para determinar que palmadas são inaceitáveis como método educativo. Se a conclusão for a de que os pais não amaram bem, a Justiça pode obrigar os pais a indenizar os filhos com o valor equivalente ao de um apartamento. Em breve, suponho, teremos mais novidades na vigilância dos pais pelo Estado. E não estou sendo irônica. É para esse mundo que temos caminhado. E é preciso perceber que temos dado sempre um passo além. Em minha opinião, além do bom senso. 
Se um pai espanca um filho ou qualquer pessoa espanca uma criança, já existe lei para punir esse ato bárbaro. Mas, não, em vez de aprimorar as ações de prevenção e tornar mais eficiente a repressão, considera-se necessário criar mais uma lei e punir também a palmada. Se um pai não garante as condições materiais para assegurar educação, alimentação e casa para um filho, também já existe lei para obrigá-lo a cumprir o seu dever. Mas agora é preciso ir mais adiante, é necessário punir também a falta de afeto. 
Coloco essas duas questões – a da “palmada” e a do “abandono afetivo” – no mesmo texto, porque, ainda que venham de instâncias diferentes do Estado, elas me parecem emblemáticas dos novos tempos que vivemos. E tenho dúvidas se refletimos o suficiente sobre o que estamos fazendo ao achar aceitável que o Estado entre na casa das pessoas e julgue o subjetivo. Tudo isso vem embalado “em nome do bem”. Mas me parece que “o bem”, assim como “as boas intenções”, tem trilhado caminhos estranhos. 
Como um juiz pode determinar o que é “abandono afetivo” em uma relação complexa como a de pais e filhos? E por que o Estado deveria fazer isso? E por que deveríamos achar legítimo que o faça? 
Não tenho dúvidas de que Luciane sofreu. E desconfio que seu pai também pode ter sofrido. E gostaria que o sofrimento de ambos jamais tivesse se tornado público, porque acho que isso deveria seguir sendo tema do privado – longe da mão do Estado e longe dos holofotes. Mas, como abri a porta do meu apartamento na semana passada e me deparei com o rosto de Luciane no jornal, é preciso pensar sobre isso. 
As imagens de Luciane, com sua expressão sofrida e chorosa, mesmo quando sorridente, provocam-me aflição. Porque é uma mulher de 38 anos, mãe e professora, dizendo coisas como: “Desde que eu nasci, meu pai nunca me quis!”. Eu facilmente poderia ver essa frase na boca de uma adolescente falando com as amigas num bar ou no pátio da escola. Mas, em uma mulher adulta, essa queixa – e uma queixa pública, com acolhimento público – me causa estranheza. Como se estivesse fora de lugar, deslocada no tempo de uma vida. 
Luciane se coloca numa posição infantilizada. E me parece que ela encarna a posição infantilizada na qual todos nós nos colocamos ao permitir que o Estado legisle e arbitre sobre como devemos amar ou como devemos educar um filho. Como se jamais nos tornássemos adultos, na medida em que precisamos de um Estado-pai para nos dizer o que fazer. Um Estado que cada vez mais se arma do direito de entrar dentro das nossas casas e determinar como devemos viver.
São tempos curiosos. E o mais curioso é que a tese do “abandono afetivo” seja acolhida na mesma época em que a família já não é mais aquela. Nem sempre o pai biológico é aquele que assume a função paterna. Ou a mãe biológica é aquela que desempenha a função materna. As combinações, hoje, são as mais variadas. E nem sempre o pai que paga as contas é o pai que busca na escola, coloca a criança no colo, conta histórias antes de dormir, repreende um deslize ou conversa sobre a iniciação sexual da filha ou do filho. Pode ser – e pode não ser.
A função paterna pode ser assumida pelo padrasto, por um tio, por um irmão mais velho, pelo avô ou mesmo por uma mulher, em um casamento gay. E o mesmo acontece com a função materna. Para ser pai ou mãe, não basta gerar uma criança, é preciso “adotá-la”. E isso vale também para os pais biológicos. E nem todos conseguem ou desejam fazê-lo. Quem desempenha a função paterna ou a função materna é aquele que gerou uma criança e “adotou-a”. Ou aquele que adotou uma criança e “adotou-a”. São dois atos – e não um. E o segundo é mais difícil, demorado e cheio de percalços. 
Que o pai biológico de Luciane se responsabilize ou seja responsabilizado pelo sustento material da filha ninguém discute. Mas não é possível obrigá-lo a ocupar a função paterna no sentido mais amplo e subjetivo. Não há como obrigar ninguém a ser pai ou mãe no sentido pleno. Se o Superior Tribunal de Justiça acredita ter esse poder e, para exercê-lo, bastaria obrigar um pai a pagar um valor em dinheiro, está completamente equivocado.  
Todos nós temos de lidar com o que consideramos ausência ou falta de afeto, em várias medidas ao longo da vida. Faz parte da complexidade das relações humanas. E faz parte do humano do nosso tempo acreditar que nunca é amado o suficiente – não só pelos pais, mas pelos filhos, pelos namorados, pelos maridos e pelas esposas, pelos amigos, pelo mundo inteiro. 
Temos de lidar com as faltas inerentes a qualquer vida da melhor forma que conseguirmos – e lidar com isso significa crescer. E crescer significa parar de choramingar e seguir adiante. Acho grave que a Justiça considere legítimo cristalizar essa mulher adulta no lugar de vítima e de menina abandonada. E congelar esse homem no lugar de pai ausente e de algoz. A vida é mais complicada do que isso. E um juiz tem o dever de compreender isso. As implicações públicas da decisão do STJ, na minha opinião uma decisão desvairada, ecoarão na vida de todos nós. 
Em entrevista à rádio CBN, a ministra Nancy Andrighi afirmou que a decisão do STJ “analisa os sentimentos das pessoas”. Se analisa, ministra, errou. Não cabe ao STJ ou qualquer tribunal analisar “sentimentos” e desferir punições pela ausência ou excesso de “sentimentos”. Isso colocaria os juízes em lugar bastante indevido.
A ministra também disse: “Não se pode negar que tenha havido sofrimento, mágoa e tristeza, e que esses sentimentos ainda persistam, por ser considerada filha de segunda classe". Alguém conhece uma vida ou mesmo uma relação entre pais e filhos que não tenha sofrimento, mágoa ou tristeza mútuas? Como é que uma juíza pode comprar a versão de filha de “segunda classe” de uma forma tão barata? 
A ministra ainda disse mais: "Todo esse contexto resume-se apenas em uma palavra: a humanização da Justiça”. Pelo contrário, me parece que a decisão ignora justamente a complexidade e a ambivalência das relações humanas. E desumaniza, ao compensar afeto com dinheiro – o que também é mais um dado interessantíssimo da nossa época de relações monetarizadas. 
Luciane, por sua vez, afirma que não sente “raiva ou mágoa” do pai. Só quer “justiça”. Se colocar o pai no banco dos réus e dizer ao país inteiro que ele é um pai ausente, relatando suas desventuras nos mínimos detalhes, não é uma vingança monumental, eu não sei o que é. Mas que Luciane busque isso, podemos até compreender. Que um tribunal legitime a vingança é que é surpreendente. O que poderíamos estar nos perguntando, neste momento, é: como a gente faz para alertar um juiz por “abandono da razão”? 
Na Folha de S. Paulo do último sábado (5/5), há duas fotos de Luciane: uma segurando um retrato dela quando bebê, no colo da mãe; a outra vestida de caipira na escola. São fotos comoventes e também são fotos escolhidas para comover – o que me faz ficar ainda mais aflita por ela. As duas fotos, assim como seu discurso, parecem dizer: “Pai, veja como sou ‘amável’”. Ou: “Brasil, veja como sou ‘amável’. Por que este homem mau não quis me amar?”. Parece que é isso que Luciane foi buscar na Justiça: a comprovação, pelo Estado, de que ela é ‘amável’, o pai é que falha. E continua, tristemente, tentando chamar a atenção do pai.
O problema é que dificilmente Luciane conseguirá seguir adiante, paralisada como parece estar no mesmo lugar simbólico. E mais difícil será agora que o tribunal a acompanha na ilusão de que é possível obrigar um pai a ser pai. Ou obrigar um pai a amá-la. E não há dúvida de que ela sofre muito com tudo isso. Tornar-se adulto, porém, é descobrir que o baralho nunca estará completo, que nem mesmo existe um baralho completo. Temos de jogar com as cartas que temos. E tentar recuperar cartas que jamais existiram, como se elas estivessem apenas perdidas, não nos ajuda a viver melhor. Apenas nos congela em um lugar infantil.
É um caso fascinante pelo que revela sobre o nosso tempo. E há bem mais ainda para se ver nele. Por enquanto, ainda queria lembrar que, às vezes, o melhor que pode acontecer a um filho é que certos pais e mães fiquem bem longe. 
Eliane Brum
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem.  elianebrum@uol.com.br - Colunista da Revista Época.
Foto: reprodução


Vai ou Racha - Por Silmara Franco

Ilustração: Adreson Vita Sá
Mega fã do Blod da Silmara Franco - começo a semana assim, dando risada da vida real, me diverti e concordei com a querida Silmara. Olha só.

Vai ou Racha


Nada deve ser mais ocultado num casamento que calcanhar rachado.
É preferível revelar o que aconteceu naquela viagem a Porto Seguro quando vocês ainda namoravam, fornecer detalhes da república onde você morou no tempo de faculdade, falar das suas vadiagens adolescentes e até confessar que já beijou uma mulher, a expor na relação um par de calcanhares prejudicados. Será o fim. Restará, apenas, decidir quem fica com a Nespresso.
Antes seu marido descobrir que não foi você a autora do salmão ao molho de gengibre que o conquistou no primeiro jantar na sua casa, que você espia o Facebook do sócio dele todo dia e que aquele vestido não custou cento e cinquenta reais, do que vocês terem uma noite de amor interrompida por um carinho, digamos, mais cortante sob os lençóis. Pior: ter que explicar por que namora sempre de meia soquete.
E a culpa é toda sua. Passa o verão metida em rasteirinhas, anda descalça pelo quintal curtindo sua fase natureba de “conexão com a terra”, capricha no hidratante da região superior e negligencia a inferior. Pensa que só as formigas e seres rastejantes notam seus pés e que semiárido é somente uma região do nordeste. Não, querida. Passível de justa causa, sola de pé desertificada tem peso dois em relação à celulite. Depois não reclame. Nem chore de saudade dos tamancos e dos sapatos Chanel.
Se o problema lhe assolar, mantenha o segredo a sete chaves (e jogue todas fora). Veja o que aconteceu a Aquiles. Em períodos de seca, para poupar o relacionamento e a palmilha dos seus calçados, lance mão de tudo que disserem para você fazer. De simpatias a receitinhas caseiras – sempre escondida, na calada da noite. Invista uma grana preta naquela dermatologista que não atende nenhum convênio. Faça promessa para Santa Rita, a das causas impossíveis. Se nem ela topar, peça emprestado ao marceneiro de sua confiança a lixadeira e a politriz. Recorra ao SUS.
Ou vai, ou racha.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Nelson Rodrigues - em breve nos cinemas - OBA
















Saaalve Salve Nelsão!
Em agosto deste ano, o escritor e polemista pernambucano Nelson Rodrigues completaria 100 anos. Entre as comemorações do centenário, que incluem montagens de suas 17 peças, exposições e relançamento de sua obra, está a divulgação do curta-metragem Fragmentos de Dois Escritores.
Dirigido pelo dramaturgo João Bethencourt em 1969, o filme mostra Nelson na sua rotina, falando sobre si, e também o dramaturgo norte-americano Edward Albee. A fita, que era considerada perdida inclusive por Bethencourt, foi encontrada pelo historiador brasileiro Carlos Fico no Arquivo Nacional dos EUA.
Aguardando... !!
Foto: Reprodução

sábado, 21 de abril de 2012

Na CPI do Amor, a casa sempre cai. Por Xico Sá.


Não, amigo, não me refiro ao hit político da hora: “Meu amor é… cachoeira – lembra?-, clássico do Ronnie Von, nosso mais elegante cavalheiro desde a Jovem Guarda.

Trato de um outro tipo de investigação. O da lama amorosa.

Legítima hacker do amor, a amiga F. entrou na caixa postal do correio eletrônico do marido. Ih, lá vem a mesmíssima história, esse legítimo Hitchcock dos lares doces lares.

Suspense seguido de terror em preto e branco.
Pra completar, a senhorita F. deu uma sherlockadazinha também no celula, de leve, enquanto o cara via lesadamente o Corinthians na Libertadores.

Entre cantadas e semi-cantadas ou apenas bobagens virtuais,  a amiga entrou em desespero,gritou, berrou, imitou o quadro do Munch, discutiu a relação por uma semana, e quase acaba com aquela vida sob o mesmo teto.

Em tempo: era o casal exemplar para todo o grupo de amigos. Sobre a cabeça do canalha havia uma auréola que lhe conferia quase a santidade no seu distrito.

O maridão não havia cometido nada demais. Apenas pecadilhos do varejo do sexo e deslizes, por puro amostramento, nas redes sociais.

Foi o bastante para uma baita crise. Quase uma ruptura. Além de ter deixado a xícara amorosa trincada para os próximos cafés.

Por estas e por outras é que não é nada recomendável quebrar o sigilo postal do companheiro ou da fofolete. Corra, Lola, corra.

Ora, quem, entre nós, resistiria a meia hora de quebra do sigilo amoroso ou sexual?

Como na arrecadação de recursos para campanhas eleitorais, todo mundo, até mesmo no mais escondido dos conventos de devotas beneditinas, já teve o seu passado que condena, o seu “caixa 2” do desejo.

Em pensamentos, atos ou omissões, tanto faz. Em telefonemas, emails ou declarações bêbadas na madruga. Nos chats, entonces…

Ninguém resiste a meia hora de quebra de sigilo. No amor, somos todos, em alguma ocasião, corruptos. Em maior ou menor grau, todos cometemos os nossas deslizes.

Menos naquela hora em que a paixão por alguém nos toma 100% do cérebro e a febre amorosa é capaz de quebrar termômetro.

As despesas com jantares à luz de vela denunciariam os amantes pelo cartão de crédito ou no extrato para simples conferência. Os porteiros de prédios e motéis seriam os mais perseguidos dos depoentes. A melhor amiga ou o melhor amigo, estas instituições supostamente vestais, também seriam convocados a depor.

Na CPI do amor sobraria até para o entregador de pizzas, que também sabe muito sobre os segredos de alcova.Por estas e por outras, melhor abafar o caso, amor, passa o orégano.

Xico Sá

Foto: reprodução

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Só o homem feio é feliz - Saiba como. Por Xico Sá

Xico ( meu colunista preferido na UOL), você faz a vida ficar beem mais divertida. Te amo!

Só o homem feio é feliz - Saiba como

Vejo aqui na capa do UOL uma solene pergunta: “É possível ser feliz mesmo se achando feio?”

Cuma assim?, tiro onda com a Gal, a cachorra da linda vizinha que me sorri latindo.
Ora, só é possível ser feliz –se é que a felicidade é coisa terrena- sendo feio.
Todo galã é triste.
Toda deusa é moralmente atordoada e maluca.

Só sei que esta indagação sobre estética e felicidade mexeu comigo. Sempre em defesa dos feios, sujos e malvados, saquei de novo o meu panfleto a favor da categoria.

Dez coisas que um homem feioso deve saber para tirar mais proveito da vida, essa ingrata:

I) Que a beleza é passageira e a feiúra é para sempre, como repetia o mal-diagramado Sérge Gainsbourg –o francês que só pegava mulher fraca, como a Brigitte Bardot e a Jane Birkin, entre outros colossos. Sim, aquele mesmo francês cabra-safado autor do maior hino de motel de todos os tempos, “Je t´aime moi non plus”, claro.

II) Que as mulheres, ao contrário da maioria dos homens, são demasiadamente generosas. E não me venha com aquela conversinha miolo-de-pote de que as crias das nossas costelas são interesseiras. Corta essa, meu rapaz. Se assim procedessem, os feios, sujos e lascados de pontes e viadutos não teriam as suas bondosas fêmeas nas ruas. Elas estão lá, bravas criaturas, perdendo em fidelidade apenas para os destemidos vira-latas.

III) Que o feio, o mal-assombro propriamente dito, saiba também e repita um velho mantra deste cronista de costumes: homem que é homem não sabe sequer a diferença entre estria e celulite.

IV) Que mulher linda até gay deseja e encara, quero ver é pegar indiscriminadamente toda e qualquer assombração e visagem que aparecer pela frente.

V) Que homem que é homem não trabalha com senso estético. Ponto. Que não sabe e nunca procurou saber sequer que existe tal aparato “avaliatório’’do glorioso sexo oposto.

VI) Que as ditas “feias” decoram o Kama Sutra logo no jardim da infância.


VII)  Que para cada mulher mal-diagramada que pegamos, Deus nos manda duas divas logo depois do enlace.

VIII)  Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um detalhe que encanta deveras.

IX) Que me desculpem as muito lindas, mas um quê de feiúra é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova, como o melhor sexo oral do planeta, para não esticarmos demais a prosa.

X) Saiba, por derradeiro, irmão de feiúra, que a vida é boxe: um bonitão tenta ganhar uma mulher sempre por nocaute, a nossa luta é sempre por pontos, minando lentamente a resistência das donzelas.

Porque, meu bem, como diz o meu amigo Conde do Brega, ninguém é perfeito e a vida é assim."

Xico Sá

Coluna "Modos de Macho, Modinhas de Fêmea e outros Chabadabadás" 



sábado, 26 de novembro de 2011

Um Gole com Fernanda Young

Foto: Reprodução

'E não há paisagem que seja mais linda do que o rosto do seu amor. Não há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dela. Eu te amo. Eu também te amo. Eu te amo mais. Impossível. Eu te amo o mundo. Eu te amo o universo. Te amo tudo aquilo que não conhecemos. E eu te amo antes que tudo o que nós não conhecemos existisse. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo mais do que a mim. ‘Já conheço os passos dessa estrada’... E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.'

F.Y

Okay Fernanda, Arraaasa.

Sozinha Mundo Afora

Foto: Divulgação
Para quem já começou a programar sua viagem de férias, mas ainda não tem companhia garantida, a jornalista Mari Campos dá a solução. Ela acaba de lançar Sozinha Mundo Afora (Editora Verus, R$ 20), um guia completo com dicas de como sair para explorar o mundo e conseguir aproveitar sua própria companhia. Você não sabe ao certo o que colocar na mala e qual remédio levar? Como se proteger e como sair sozinha? Mari aborda essas e outras questões numa linguagem fácil e gostosa. O tamanho pequeno do livro também ajuda na hora de colocar na bolsa. Nada como um mimo cult!